24 a 26/4: Republikkk em Anápolis
- 23 de abr.
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Espetáculo do coletivo “Teatro Gueroba” percorre Ouvidor, Goiânia e Anápolis em abril, aprofundando reflexões sobre memória, pandemia e os múltiplos Brasis

Após impactar o público em sua estreia em Goiânia, em 2024, o espetáculo “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco” volta aos palcos do nosso estado em uma nova temporada. Depois de ser apresentado em Ouvidor e Goiânia, o trabalho chega ao Teatro Municipal de Anápolis nos dias 24, 25 e 26 de abril. As apresentações reforçam o diálogo entre arte, território e memória coletiva. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados pelo sympla.com.br. Informações detalhadas também estão disponíveis no Instagram: @teatrogueroba. Este projeto foi contemplado pelo edital de Fomento ao Teatro (11/2024) e pelo edital de Fomento à Manutenção continuada de grupos e companhias artísticas (16/2024) da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), viabilizados pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo de Goiás.
A dramaturgia parte de um enredo íntimo e ao mesmo tempo universal: em meio a um dia de festa, um homem comum, após um embate simbólico com Deus, revisita sua trajetória e se confronta com perguntas sobre destino, responsabilidade e tragédia. Entre a zona rural e a cidade, a obra constrói uma dramaturgia que atravessa o Brasil, tensionando os efeitos da pandemia e os embates de uma sociedade marcada pela polarização.
Inspirado em referências como Darcy Ribeiro, tradições ancestrais negras e indígenas e manifestações populares como a Folia de Reis, o espetáculo entrelaça elementos documentais e simbólicos. Cruzes fincadas na terra, números que evocam perdas de uma pandemia que ainda marca o mundo contemporâneo, e a presença da natureza — como a gueroba (guariroba), palmeira do Cerrado altamente resistente ao fogo, que rebrota com as chuvas — são elementos que compõem uma narrativa visual e sensorial sobre vida, morte e permanência.
Teatro como encruzilhada de sentidos
Com direção de Hercules Morais, a obra mantém a potência estética e política já destacada em sua estreia, quando foi apresentada como uma experiência que “chacoalha o espírito” e convoca o público a refletir sobre o tempo presente. A encenação investe em uma linguagem imagética intensa, na qual corpo, som e matéria orgânica se tornam dispositivos de pensamento.
A pesquisa do coletivo Teatro Gueroba dialoga com diferentes tradições — da tragédia clássica à performance contemporânea — e constrói uma cena que desafia convenções, propondo uma experiência que ultrapassa a narrativa linear e aposta na sensorialidade como caminho de compreensão.
Sobre o espetáculo e a nova circulação, o diretor destaca o caráter vivo e transformador da obra: “‘Republikkk” nasce desse desejo de tornar visível aquilo que muitas vezes permanece invisível em nós e no país. Eu propus a esse coletivo uma imersão radical, como uma travessia coletiva pelos territórios do cerrado goiano, e durante meses toda a equipe viveu junta em casas rurais, roças e pequenos povoados, partilhando o cotidiano, ouvindo histórias e atravessando festas populares, cemitérios antigos, terreiros e saberes ancestrais. Mas o processo segue, a cada apresentação, a cada cidade, quando o espetáculo se reinventa como uma encruzilhada de memórias, onde o público é convidado a olhar para o que vivemos, para o que perdemos e, sobretudo, para o que ainda pode florescer. A obra, para mim, nasce justamente nesse lugar de encontro: quando a cena termina, mas o pensamento continua. O entre, um e o outro... E o invisível que se tece nesse espaço de complementaridade e compartilhamento.”, comenta Hercules.
Circulação amplia alcance da obra
Nesta nova temporada, o espetáculo amplia seu alcance e se aproxima de diferentes públicos, ocupando espaços acadêmicos e equipamentos culturais em três cidades. A circulação acontece após a participação do trabalho na MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, onde foi apresentado com expressiva recepção de público e crítica, consolidando sua relevância no cenário contemporâneo das artes cênicas brasileiras.
A circulação por Ouvidor, Goiânia e Anápolis reforça o compromisso do grupo com a descentralização cultural e com o diálogo direto com comunidades diversas, mantendo viva a proposta de pensar o Brasil a partir de seus múltiplos territórios.
Crítica especializada
A força estética de Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco também tem sido destacada pela crítica especializada, que aponta a visualidade da obra como um dos seus principais vetores de sentido. Em análise sobre o espetáculo, o pesquisador e crítico Bob Sousa observa que a encenação constrói “um campo de forças onde matéria, corpo e memória disputam sentidos”, transformando o palco em um território simbólico de alta densidade, no qual elementos como a árvore seca, o feno e as cruzes não apenas ilustram, mas corporificam o luto coletivo e as tensões do país. Para ele, a obra propõe uma experiência sensorial que recusa leituras simplificadoras e aposta na potência das imagens para provocar o espectador, instaurando uma visualidade que “incomoda, insiste e reverbera” diante de um Brasil em constante disputa e reinvenção. (https://www.bobsousa.com.br/analises/imagens-para-depois-do-fim).
Bob Sousa é fotógrafo, pesquisador e doutorando em Artes Cênicas, além de jurado de Teatro da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes – e de Artes Visuais do Prêmio Arcanjo de Cultura. Bob também é autor do livro Retratos do teatro (Editora Unesp).
Sinopse
Em um dia de festa, um homem comum, após brigar com Deus, revê a própria história e se pergunta como poderia ter evitado uma tragédia. Entre a roça e a cidade, a obra investiga a resposta à pandemia e a reatividade de uma política polarizada. Vida e morte, tempo e esperança atravessam uma dramaturgia sobre um Brasil multiforme e o risco de extinção do Cerrado.
Alerta de conteúdo sensível
Referências a luto e menções à pandemia. Uso de fumaça e material orgânico em cena (possíveis alérgenos). Trilha sonora com frequências graves e interação com o público.
Ficha técnica
Concepção e direção: Hercules Morais; Assistente de direção: Mariana Brand; Dramaturgia: Angela Ribeiro, Hercules Morais; Elenco: Hercules Morais, Ivana Thais, Paulo Victor Gandra, Marcelo Villas Boas, Magno Argolo; Participação especial: Mariana Brand e Thiago Machado; Preparação corporal e direção de movimento: Paulo Victor Gandra; Preparação vocal: Hercules Morais; Direção de arte: Clíssia Morais; Cenografia: Clara Lindorfer; Figurinos: Sandra Machado; Visagismo: Hercules Morais; Adereços: Olivio de Oliveira, Jesus Walkir Pedroso; Desenho de luz: Docini; Operador de luz: Abner Felix; Música original: Renato Navarro; Desenho de som e operação: Renato Navarro; Comunicação: Rizoma Comunicação & Arte; Design e vídeos de divulgação: Cíntia Marques e Leonardo Alcântara - Projeto Ande; Assessoria de imprensa: Lumieira Comunicação; Produção executiva: DuCerrado Produções; Produção Local (Goiânia): Procena Produtora Cultural; Intérprete de Libras (Ouvidor): Débora Adomaitis; Intérprete de Libras (Goiânia e Anápolis): Samanta Melo Moreira; Correalização: Instituto REC; Realização: Teatro Gueroba.
Serviço: Coletivo Gueroba apresenta “Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco”
Classificação: 14 anos
Aviso: Há momentos de som em volume alto.
Teatro Municipal de Anápolis, Av. Brasil Sul, 200 - Centro
24/4 - às 19h
25/4 - às 16h e 19h
26/4 - às 20h
A sessão do dia 26/04 (domingo) conta com Interpretação em Libras.
Ingressos gratuitos: https://www.sympla.com.br/evento/republikkk-ou-encruzilhada-nao-e-beco/3354715
Este projeto foi contemplado pelo edital de Fomento ao Teatro e pelo edital de Fomento à Manutenção continuada de grupos e companhias artísticas da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), viabilizados pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo de Goiás.
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